Conferências Lusófona, 6º SOPCOM/4ºIBÉRICO

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Exterioridade e replicação, apontamentos sobre espacialização e criatividade

Helder Miguel Cardoso Dias

Última alteração: 09-04-2009

Resumo


No domínio da biologia e mais concretamente da teoria da evolução, podemos definir o campo alargado de concepção como a totalidade de caminhos virtuais que um determinado estágio evolutivo pode seguir. Para utilizar um exemplo clássico (Borges 1989: 67), todos os livros que podem ser escritos utilizando a totalidade das combinações possíveis fornecidas pelo alfabeto que produzam palavras e frases com sentido. Uma das actualizações deste campo alargado de concepção é, por exemplo, o conto onde o autor descreve este processo.
Ao nível da arte generativa, ou melhor, do recurso criativo a processos generativos, uma das problemáticas mais interessantes tem a ver com esta possibilidade de criar condições para que um determinado sistema, ao abrigo da sua autonomia, possa percorrer espaços pouco prováveis deste campo alargado de concepção.
Acreditarmos que o Homem tem a capacidade de projectar sistemas que de alguma forma o ultrapassam e que, por serem capazes de se diferenciarem parcialmente dos mecanismos cognitivos que lhe deram origem, podem percorrer parcelas desse campo alargado que de outra forma dificilmente seriam exploradas. Trata-se da oportunidade de criar uma estrutura artificial replicante que percorra esses blocos cartográficos mais improváveis.
Constatamos que existe já trabalho prático interessante desenvolvido em áreas como a arquitectura ou o design industrial. O lado projectual destas actividades e o facto de existir adaptabilidade e progressão em busca da solução que mais se aproxima do ideal, criam as condições para a utilização de algoritmos genéticos como elementos integrantes do processo criativo.

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